Se abra para o amor de Deus!
Angela Paiva Fernandes
O apóstolo Paulo em Filipenses 2, 1-11 traz a tona em suas palavras o seu êxtase no entendimento dos propósitos de Deus para a humanidade e de forma simples, mas poética compartilha conosco a sua experiência de se relacionar abertamente com o Pai.
Ao compreender a essência da cristologia, Paulo extrai seus sentimentos mais profundos e verdadeiros ao escrever: “² completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa.” Veja a manifestação e a inter-relação do Espírito Santo de Deus e do apóstolo ao desejar compartilhar com o próximo esse sentimento prazeroso.
Essa é a consequência na vida daquele que se abre em amor para Deus, se doa em amor, assim como Jesus enquanto ser humano se abre em amor radicalmente para Deus, na forma de servo, ou seja, em obediência, e por meio da auto-doação.
O apóstolo Paulo nos versículo 3 e 4 ao orientar a respeito da humildade na prática dos nossos atos, nos faz refletir a respeito da atitude e do sentido de Jesus Cristo, enquanto Deus radicalmente aberto para a humanidade. Mas, como?
Deus, o todo-poderoso, o criador de todas as coisas, que soprou sobre o homem o fôlego da vida e após várias experiências de se relacionar com o homem como vemos nos relatos do AT, ao enviar Jesus que é da mesma substância de Deus, portanto o próprio Deus. Assim, por meio de Jesus se despiu da sua glória e se tornou da mesma essência do ser humano, e se humilhou a ponto de se tornar igual à própria criatura e se colocou no lugar do outro, ou seja, no nosso lugar.
O próprio Deus, por meio do seu filho Jesus o Cristo, experimentou as dores, as angústias, as fraquezas, os medos, inclusive o medo da morte, e retirou-as do ser humano ao experimentar e se entregar plenamente a Si mesmo, tendo seu ápice com sua morte na cruz, e sendo Deus, Jesus ressuscitou para mostrar que se o ser humano crer na experiência de Jesus como homem, pela fé, o folego da vida que foi dado por Deus retornará através da reconciliação de Deus com o homem, mas não mais pela imposição, mas pela essência que foi dispersada dessa experiência expressada como amor em uma nova liberdade responsável, a se manifestar de maneira bilateral, da qual o ser humano de maneira consciente se doa ao Criador.
O apóstolo Paulo escreve que o Jesus homem, despido do Jesus divino, v. 6 “que, mesmo sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus”, assim, como o ser humano é a imagem e semelhança de Deus, não é necessário usurpar ser igual a Deus, mas se abrir em amor para se relacionar, reconhecer pela fé e não por fatos históricos, dos quais não devem ser desprezados, e confessar que “Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”.
É quando o véu se rasga no calvário e o mistério se torna público, e é revelado em Jesus Cristo o início do novo mundo, sem morte, passível de se viver no presente e de forma eterna, e se tronar coluna no templo do Senhor!

